segunda-feira, 9 de março de 2009

Texto escrito de uma entrevista realizada em 13/01/2009 com o Senhor Margarido


Apresentação: Meu nome é Margarido, sou casado tem 46 anos, dois filhos e sempre trabalhei na construção civil. Não sei ler nem escrever sou analfabeto e tenho muita vontade de aprender a leitura.

Entrevistador: Como você se comunicava com seus familiares que moram longe?

Entrevistado: Eu mim comunicava por carta, eu procurava sempre uma pessoa que sabia escrever para fazer as minhas cartas, mas eu ainda achava que não ficava do jeito que eu queria, a impressão era que não tinha os mesmos sentimentos que eu passava quando eu falava o que era para escrever, queria muito passar aqueles pensamentos guardados para a mãe ou para a namorada e não sabia escrever então dependia muito dos outros, às vezes ficava sem me comunicar.

Entrevistador: E hoje, de que maneira você se comunica com essas mesmas pessoas?

Entrevistado: Hoje com o telefone ficou mais fácil e melhor porque não preciso das pessoas para telefonar.
Entrevistador: O telefone facilitou a vida de muita gente.
Entrevistado: É, facilitou sim a vida de muita gente.
Entrevistador: E agora veio a internet revolucionou mais ainda.
Entrevistado: É, mas é para quem sabe ler e escrever, porque quem não sabe continua com a mesma dificuldade.

Entrevistador: A escrita hoje te faz falta?

Entrevistado: Sim, muita. Sempre me fez falta e continua fazendo, porque hoje tudo depende da leitura.

Entrevistador: Em que momentos a escrita te faz falta?
Entrevistado: Para lê uma correspondência, lê algo no trabalho, da escola do meu filho. Tenho muita vontade de aprender a leitura.

Entrevistador: Você sabe que nunca é tarde par a começar? Entrevistado: Sim nunca é tarde, mas eu tenho muita dificuldade. Entrevistador: Não perca a esperança porque sta é a ultima que more. Entrevistado: Não esta eu não vou perder, eu tenho muita esperança de que um dia eu vou conseguir.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A escrita em tempos de novas tecnologias da comunicação


A escrita passou por várias mudanças desde os primórdios de sua história, saído da argila, do papiro, pergaminho entre outros chegando enfim à folha de papel branco, até os tempos atuais com a chegada do mundo informatizado, o qual chegou e fez uma revolução no sistema da comunicação, revolução que agilizou e facilitou a vida de muita gente.
No que antes se esperava até meses para se ter à resposta de uma carta, uma solicitação, hoje com este sistema informatizado da comunicação se tornou mais fácil e muito mais rápido, com apenas alguns minutos já se tem uma permissão, uma assinatura etc.
Diferentemente da escrita a qual já foi atribuída muita mudança e que já foi objeto de luxo para muitos na idade média, no entanto poucos tinham acesso, e que épocas depois foi de desenvolvendo e tornando ao acesso de todos, o mundo da informática, ou seja, da comunicação eletrônica chegou colocando uma nuvem de preocupação nas pessoas, em achar que muitos iriam deixar de escrever e até mesmo deixar o papel de lado, e, no entanto a escrita nunca deixou de ter o seu poder, assim como a leitura, instrumento qual a escrita está ligado.
Na entrevista com o senhor Margarido, nordestino não alfabetizado, morador da cidade de São Paulo há quase trinta anos. Ele falou muito sobre o peso, o valor do oral para o escrito, apesar de não saber ler e nem escrever, ele sabe que a escrita tem poder, mas que não atribui o mesmo valor sentimental que a oralidade exerce. Porém ambas não deixa de ser comunicação expressada.

Não podemos nos esquecer que o oral muitas vezes precisa ou tem que ser legitimado, e para isso recorremos a registros escritos. Pois é quando argumentamos em cima de fatos reais é que conseguimos convencer facilmente os ouvintes.

Assim como no filme “Narradores de Javé”, que a população moradora do vale, teve seu momento de necessidade da escrita, o senhor Margarido, o entrevistado, também já precisou muito das pessoas, ou seja, de um escriba para escrever as cartas para sua comunicação com seus parentes no Nordeste.

A escrita e a leitura sempre tentaram e vêm tentando melhorar e facilitar a nossa vida, e cabe a cada um de nós letrados, que vivemos numa sociedade moderna atribuir sue valor e com isso crescermos com o objetivo de passarmos para os indivíduos para que eles também possam crescer, fazer parte as práticas sociais podendo participar do processo de compreensão na busca do conhecimento.

“A escrita foi, continua e sempre será um instrumento de poder”